Uma AlternAtiva à praxe tradicional

Por António Miguel, Daniela Rebouta e Pedro Coelho

A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) tem assistido ao crescimento do movimento AlternAtiva, cujo objetivo passa por integrar os novos alunos que optam por um método de socialização distinto do tradicional.

A ideia começou a ganhar contornos reais quando Rebeca Csalog, ex-estudante da Université Paris Diderot (na qual a praxe é considerada crime público), se deparou com uma nova forma de receber os caloiros.

Atualmente a estudar Antropologia na FCSH, Rebeca, com vinte anos de idade, pretende agora tirar partido da sua experiência em França e atuar no plano da defesa dos direitos estudantis.

Rebeca Csalog – Movimento AlternAtiva © Maria Runkel Cardoso

 

A equipa responsável pelo movimento define-se por uma estrutura sem hierarquias ou cargos assumidos, dentro da qual cada elemento desempenha diferentes funções, tendo em conta que todos os membros assumem o mesmo grau de importância e poder de decisão.

Rebeca esclarece que o AlternAtiva não defende uma posição anti-praxe, mas sim um trabalho ao nível da dinamização de pólos alternativos, que contrariem a atual tendência e ofereçam um novo leque de experiências aos caloiros da FCSH.

 

João de Matos, licenciado em Línguas, Literaturas e Culturas e presentemente a frequentar o Mestrado de Ciências da Linguagem, desempenha também um papel relevante no desenvolvimento da iniciativa.

“Partindo do princípio que a faculdade deve servir para formar pessoas e nunca para praticar a subserviência, as relações sociais entre os novos alunos podem e devem nascer espontaneamente”.

João de Matos – Movimento AlternAtiva © Rebeca Csalog

 

O AlternAtiva tem vindo a organizar variadas atividades lúdicas para os alunos de primeiro ano: workshops de fotografia, concertos, sessões de poesia e feiras de artigos em segunda mão são apenas alguns dos exemplos de eventos realizados.

 

Concerto © Maria Runkel Cardoso

 

O projeto tem despoletado inúmeras reações, nomeadamente por parte de faculdades e pessoas de origens sociais distintas, facto que tem justificado a adesão de estudantes portugueses e estrangeiros.

Sobre as falhas de cooperação e comunicação com a Associação de Estudantes da FCSH: “Sentimos dificuldades com o tempo, com as reservas das salas e com as autorizações porque não houve uma boa comunicação com a AE. Tivemos que aprender a lidar, ainda, com burocracias e entraves por parte da faculdade e da própria AE, devido ao facto de não termos patrocínios e principalmente por não sermos um núcleo ou uma organização oficial”.

Tarde de poesia © Maria Runkel Cardoso

 

 

 

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