Rui Alves de Sousa: o futuro em aberto

Por: Alexandra Pagarim, Francisca Dias e Inês Chaíça

Rui Alves de Sousa soube desde criança que gostaria de fazer alguma coisa relacionada com comunicação. Aos 10 anos, começava as primeiras experiências com os amigos: dos jornais de banda desenhada aos filmes caseiros. Mas foi no secundário que começou a descobrir a rádio e o teatro. Hoje em dia dedica-se ao grand finale do seu programa de rádio, “Um Lance no Escuro” e aos 1001 projetos em que está inserido.

Sempre foi uma criança tímida, apesar do seu gosto pela comunicação. Conta que se não fosse o grupo de teatro da Escola Secundária Rainha Dona Leonor, nunca teria conseguido sair do seu espaço seguro. Mas assim, como foi obrigado a sair da sua pequena concha, conseguiu ganhar o à-vontade necessário para falar mais facilmente com as pessoas.

O programa de rádio veio por acréscimo. Surgiu devido ao interesse que tinha em falar com as pessoas que achava interessantes mas não conhecia. “A maior parte das pessoas tem uma história gira para contar”, afirma Rui. Ao participar no DN Escolas no 10º e 11º ano, recebeu na sua secundária dois convidados para serem entrevistados, Nuno Galopim e Nuno Markl. Gostou da experiência e, como não teria a oportunidade de continuar onde estava, procurou outra escola secundária. “Fui a uma outra secundária que não a minha, o Liceu Camões, e propus lá o programa na rádio que estavam a fazer na altura“, conta.

425473_1891220735778_519368675_n
Rui e Nuno Markl

Ao terminar o ensino secundário, entrou na licenciatura de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Estava à espera de poder continuar o seu programa, mas nunca abriram a rádio da FCSH como estava à espera. Começou então o Lance no Escuro na Universidade Autónoma. “É triste, mas por outro lado tive uma oportunidade boa que me deu muitas coisas boas“, confessa.

O Lance no Escuro foi um programa “completamente feito à toa“. Iniciado no Liceu Camões, não tinha uma duração definida, e era em direto. Fez 9 emissões, com convidados diferentes. Ao mudar de casa para a Autónoma, teve que mudar um pouco o formato, era uma rádio académica e mais rígida a nível de programação. “Comecei a fazer coisas um bocadinho melhores, não é que sejam boas, mas são um bocadinho melhores do que o que fazia no Liceu Camões“, afirma orgulhoso.

Ao convidar para o programa, procura sempre pessoas interessantes. Afirma que já recebeu muitos nãos, uns mais simpáticos que outros. Admira muito as pessoas que têm paciência para aceitar estes convites mesmo que tenham o seu tempo limitado. “Há amizades que ficam” diz Rui, que admite a bênção que é para ele o facto de as pessoas aceitarem o convite, cujas entrevistas “acabam sempre por ser histórias muito giras“.

Irá terminar em breve o Lance no Escuro, pois admite que “era um ciclo que tinha de fechar”. Confessa que tem medo do futuro, e que não gosta de falar sobre ele. Acredita que sua área de formação torna improvável saber o que vai acontecer a seguir e que não pode ter só um objetivo concreto, pois são várias as portas que se podem abrir.

Colaborador do site Máquina de Escrever, a escrita é um dos seus mecanismos para se abstrair de pensar no que o futuro lhe reserva. Tem um blog desde o 3.º ciclo, Companhia das Amêndoas que passou por várias transformações, desde textos de stand-up a outros temas como cinema, para “tentar ser um bocadinho mais sério”, confessa. Escreveu também sobre cinema no site Espalha-Factos.

Gostaria de ter tipo a oportunidade de entrevistar Charles Chaplin, pois é uma das pessoas que o inspiram, e gosta da sua forma de ver a vida. A sua paixão pelo cinema e pela realização surgiram com O Grande Ditador, que já viu várias vezes e confessa que em todas elas descobriu algo novo.

Nos filmes que mais gosta, elege o Era uma vez na América como predileto, pelos diferentes olhares sobre a amizade. Dizer qual é o seu livro favorito foi mais difícil. “Eu tinha aquela resposta clichê a dizer que o meu livro preferido era O Principezinho“, diz entre risos. No entanto, o escolhido foi o livro Reviver o Passado em Brideshead, de Evelyn Waugh. Trata-se de um olhar cínico à sociedade inglesa na primeira metade do século XX, com a história de dois amigos vindos de meios completamente diferentes.

Se tivesse a oportunidade de fazer um primeiro filme, Rui gostaria de o basear no livro Dama de Espadas, de Mário Zambujal. “Não sei porquê, desde que o li imagino-o como um filme. É um romance cómico que envolve certas intrigas sociais e políticas, e desde então essa ideia nunca me saiu da cabeça“, explica.

Rui com o autor do romance Dama de Espadas, Mário Zambujal.
Rui com o autor do romance Dama de Espadas, Mário Zambujal.

Apesar do medo que tem em falar do futuro, é certo e sabido que o passado e o presente já tem preenchidos. Afirma que é uma pessoa que gosta de todo o tipo de comunicação que existe. “Gostava que no futuro isso fosse a minha profissão e a minha vida. Vamos ver o que acontece“, remata.

Submit a comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.