Quem matou JFK?

Joana Chung, Leonor Vieira e Margarida Vagos

John Fitzgerald Kennedy é relembrado como o 35º presidente dos Estados Unidos da América e uma das personalidades mais icónicas do século XX. Foi na tarde de 22 de novembro de 1963 em Dallas, Texas, que tudo se alterou, quando Kennedy se tornou no 4º presidente norte-americano a ser assassinado.

Visita oficial de Kennedy e comitiva presidencial a Dallas, Texas. Fonte: Globo

Kennedy foi um político reconhecido dos EUA entre a década de 40 e a sua morte, em 1963. Começou a sua carreia política em 1947 ao representar o estado de Massachusetts na Câmara dos Deputados. Em 1953 ascende a Senador e a 20 de janeiro de 1961, Kennedy toma a presidência norte-americana, vencendo ao republicano Nixon. Em 1963 apresentava já ideias para a sua campanha de reeleição, delineando uma estratégia de aumento da sua popularidade nos estados sulistas, como o Texas.

Foi aí, num dia de sol, que a cidade de Dallas se preparava para o receber. Às 11h40 de 22 de novembro de 1963, a comitiva presidencial chegou a Love Field, Dallas, de onde partiria para realizar a sua visita oficial pela cidade, atravessando a Main Street, a interseção entre a Houston Street e a Elm Street, a Stemmons Freeway e por fim a Trade Mart.

Às 12h30, nessa interseção, ouviram-se 3 disparos entre a multidão eufórica, que tinham como alvo o presidente norte-americano, alvejando-o primeiro no pescoço e depois, fatalmente, na cabeça. Apesar da grande rapidez na chegada ao Parkland Memorial Hospital, a morte de Kennedy foi pronunciada às 13h, chocando o mundo. As imagens do evento foram incredulamente revistas graças ao popularmente apelidado “Zapruder’s film”, uma gravação de Abraham Zapruder, cidadão norte-americano que entre a multidão gravou o cortejo presidencial e, consequentemente, o assassinato de Kennedy. Numa questão de hora e meia, o vice-presidente Lyndon B. Johnson foi proclamado o 36º presidente dos EUA.

Frame do filme de Zapruder. Fonte: Wtopnews

No local de crime, era notária a crescente confusão de onde de facto tinham vindo os disparos, com muitos testemunhos divergentes. Contudo, após a indicação de que as balas teriam vindo de um local elevado e atrás do carro onde o presidente estava, a atenção da polícia centrou-se no Texas School Book Depository, edifício mencionado em alguns testemunhos.

Eram cerca de 13h45 quando a polícia cercou o Texas Theatre, após receber pistas de que lá se encontrava um homem caucasiano, nos seus 30 anos e de estatura média, que já havia sido identificado por testemunhas como o assassino de Kennedy. Esta descrição surge primeiro numa área muito próxima à do homicídio presidencial, aquando a morte provocada de um polícia em serviço, J.D Tippit. Assim, o suspeito é seguido até ao teatro.

Ao mesmo tempo, após testemunhos indicarem que os tiros haviam sido disparados do Texas School Book Depository, a polícia começou a investigar o edifício. No 6º piso foram encontrados indícios do atirador, devido à presença de uma espingarda, caixas de cartuchos vazias e caixas que haviam ajudado o atirador a focar-se no alvo. Após Roy Truly, o “building superintendent”, revelar à polícia que havia um funcionário em falta para ser interrogado, as suas informações foram apresentadas à polícia, tornando-o o principal suspeito.

Ambas as situações levaram ao mesmo homem: Lee Harvey Oswald.

O Assassino

Lee Harvey Oswald em 1963. Fonte: New York Times

O fuzileiro norte-americano que parte para a União Soviética e regressa mais tarde ao seu país de origem, Lee Harvey Oswald, foi considerado o culpado oficial pelo assassinato de John F. Kennedy. Tendo passado pela Marinha, onde se formou enquanto operador de radar e se tornou num atirador rigoroso, Oswald simpatizou com o marxismo quando esteve colocado na base de Atsugi, Japão, o centro dos aviões de espionagem U-2.

Em 1959, viajado para a URSS, renunciava a cidadania americana e pedia a russa. Até 1962, durante a Guerra Fria, viveu e trabalhou em Minsk. Em 1963 regressou aos EUA, repentinamente e sem objeções do governo americano, com as suas novas mulher e filha. Em Janeiro desse ano, Oswald compra uma espingarda, em Abril participa alegadamente numa tentativa de homicídio de um general de extrema-direita e, em Outubro, arranjou trabalho na Texas School Book Depository.

No mês seguinte, a 22 de Novembro de 1963, é preso pelo homicídio do presidente. Sem tempo para se explicar, e negando o seu envolvimento, Oswald é preso e, a 24 de Novembro, quando está a ser levado para interrogatório, é morto por Jack Ruby, dono de uma discoteca.

Cronologia dos acontecimentos

A Warren Commission

Sete dias após a morte de JFK, Lyndon B. Johnson, o novo presidente, criou a “Warren Commission”, com o intuito de investigar o assassinato de Kennedy. A comissão era constituída por dois congressistas, dois senadores, o antigo diretor da CIA e o ex-presidente do Banco Mundial. A 27 de Setembro de 1964, as conclusões da investigação coordenada por Earl Warren foram divulgadas ao público.

Conclusões oficiais da Warren Commission, 1963. Fonte: British Pathé

De acordo com a investigação, Lee Harvey Oswald foi o único culpado do assassinato de Kennedy, ao usar a sua espingarda para disparar três vezes da janela do canto sudeste localizada no 6º piso do Texas School Book Depository. O governo norte-americano apurou que não houve qualquer envolvimento por parte de organizações nacionais ou internacionais no assassinato de Kennedy, nem pouco mais tarde no de Oswald. Observe algumas das provas físicas encontradas no suposto local de origem dos disparos de Oswald que contribuiram para a grande conclusão da Warren Comission:

Para além de Kennedy, o governador John Connally, foi também alvejado gravemente e levado para o Parkland Memorial Hospital, onde sobreviveu. Averiguadas todas as provas ao dispor da comissão, é então referida a popularizada “Single-bullet theory”, que explica como uma única bala foi capaz de entrar pelas costas do Presidente, sair pelo seu pescoço e ainda ferir o governador Connally nas costas, saindo pelo seu pulso e alojando-se na sua coxa.

Apesar de pronunciar-se inocente, Oswald foi rapidamente, aos olhos da justiça e de parte do público, considerado culpado pelo sucedido. Outros, sempre duvidaram.

As Teorias da Conspiração

Insatisfeitos com as conclusões da Warren Commission, muitos dedicaram-se a estudar o caso de forma independente, para responder ao mistério do verdadeiro culpado pelo assassinato de JFK, gerando, deste modo, uma infinitude de teorias da conspiração. Curiosamente, apesar de nenhuma das teorias ter sido alguma vez provada, estima-se que cerca de 59% dos Americanos ainda hoje acredite que o episódio envolveu algum tipo de conspiração.

Terá sido um complô da CIA contra o próprio Presidente? Como é que Oswald atuou sozinho, se as diversas balas disparadas parecem originar de locais divergentes? E quem será aquele indivíduo no filme de Zapruder, de guarda-chuva preto num belo dia de sol?

O Governo esteve por detrás de tudo

Todo o secretismo gerado à volta dos documentos relativos ao caso, por parte da CIA, só a colocou no foco dos conspiracionistas. Segundo os conspiracionistas, a decisão de Kennedy de retirar o apoio aéreo americano durante a invasão da Baía dos Porcos, Cuba (sob o domínio da União Soviética) em 1961, terá sido a razão pela qual a CIA procurou vingança.

No entanto, a teoria fora sempre negada pelos EUA, ao apresentarem provas de que Oswald teria ligações não com a CIA, mas com a União Soviética, apoiando na totalidade a sua predominância em Cuba. Segundo a investigação da W.C., Oswald teria estado na embaixada Russa em Mexican City, EUA, apenas umas semanas antes de disparar a sua arma contra Kennedy, o que comprovaria as suas intenções e ligações ao lado oposto da Guerra Fria.

Kennedy fala aos fuzileiros americanos exilados em Cuba após o falhanço da Invasão da Baía dos Porcos, 1962, Fonte: NBC

Mas muitos se questionam por que razão a União Soviética teria interesse em assassinar um Presidente que mantinha uma relação cordial com Cuba, especialmente sabendo que seriam logo os primeiros suspeitos e podiam levar com uma retaliação dos EUA. Para além disso, se Oswald tinha mesmo ligações à União Soviética, por que razão se encontrava com grupos anti-Castro?

Um Segundo Atirador

Teorias de que teria havido um segundo atirador surgiram no mesmo dia do assassinato de Kennedy. Diversas testemunhas afirmavam que ouviram tiros originados de uma pequena colina com o nome de Grassy Knoll, localizada na Dealey Plaza, mas isto acabou por ser abafado pelas conclusões da W.C., em 1964. Como apenas teriam sido publicadas frames estáticas do filme de Zapruder até ao momento, seria um caso de mera especulação.

Grassy Knoll após os disparos vs. Grassy Knoll agora

No entanto, quando em 1975, o filme é televisado nos EUA pela primeira vez, estes conspiracionistas encontram um movimento particular no frame 313: a cabeça de Kennedy movimenta-se para trás com o último tiro, algo impossível se a bala originasse do Book Depository, o que indicava que o tiro teria sido disparado de frente ou de lado. O alarido dos americanos após a visualização do filme incentivou a criação da House Select Committee on Assassinations (HSCA), em 1976, para uma investigação mais aprofundada. Com o acesso a novas provas, como um áudio gravado por um policia presente no local (que pode ouvir abaixo), o comité concluiu que não teriam sido disparados 3 tiros, mas sim 4, este último de um segundo atirador localizado no Grassy Knoll, e que provavelmente teria sido tudo uma conspiração contra o Presidente. Mais tarde estas conclusões foram questionadas e descartadas.

É também tida bastante em consideração a arma utilizada por Oswald- uma Mannlicher-Carcano rifle. Muitos dedicados a provar errada a teoria da W.C, afirmam que seria impossível que Oswald tivesse disparado três tiros com esta espingarda em apenas seis segundos, considerando o tempo que demora a apontar, disparar e recarregar. 

Por muitos locais que tivessem sido apontados como a possível localização do segundo atirador, o Grassy Knoll continua hoje a ser o mais provável. Estima-se que, desde a data, tenham sido acusados por conspiracionistas, 42 grupos, 82 assassinos e 214 pessoas envolvidas.

O Homem do Guarda-chuva (The Umbrella Man)

Um dos mais acusados de ser o segundo atirador terá sido o homem misterioso de guarda-chuva preto, que se encontrava no local, relativamente perto do Grassy Knoll. “O que estaria ele a fazer com um guarda-chuva aberto num dia marcado pelo bom tempo?”, muitos se questionaram. As teorias incluíam uma arma secreta dentro do objeto que dispararia discretamente quando o indivíduo carregasse num botão, tornando este homem o cúmplice de Oswald tão procurado pelos conspiracionistas.

Aparentemente, o homem do guarda-chuva, terá revelado a sua identidade em 1978. Com o nome de Louie Steven Witt, diz ter trazido consigo tal objeto como forma de protesto a Joseph Kennedy, pai do Presidente, que apoiava as políticas de Neville Chamberlain, este frequentemente utilizador de um guarda-chuva preto. Todavia, para muitos conspiracionistas, a história é difícil de acreditar.

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