O terremoto da morte

Alunas: Lourena Macaringue, Nuria Pérez e Sara Martínez

1 de novembro de 1755. O que é que aconteceu neste dia? 

Contextualização

Alguma vez já se perguntou porque é que Lisboa tem algumas áreas com  ruas muito difíceis de subir pelas inclinações e porque há ruas muito lisas e sem declive nenhum? Isto é devido ao terremoto que assolou a capital portuguesa no ano 1755. 

Tudo ocorreu a 1 de novembro de 1755. Pelo costume que há , o qual persiste na recordação dos  mortos com velas e visitas no cemitério, os Portugueses foram às igrejas sem saber tudo o que viria  a acontecer.  Se pensarmos na atualidade, os recursos que hoje nós temos são muito avançados,mas temos de pensar que no ano 1755 não era assim. Na época ,Lisboa era conhecida pela riqueza dos ornamentos de arte sacra e pela quantidade de Igrejas e  conventos, era a quarta maior cidade do continente, depois de Paris, Londres e Nápoles. 

Antes disso, até 1750, Portugal havia sido governado pelo monarca absolutista D. João V que havia realizado obras grandiosas como o Aqueduto das Águas Livres, o Convento de Mafra (o do “Memorial do Convento” de José Saramago) e a famosa Biblioteca Real, na época uma das maiores da Europa. Apoiava o desenvolvimento da música e das letras e recebeu os títulos de Magnânimo, pela generosidade com os membros de sua Corte e de Fidelíssimo, outorgado pelo Papa, por sua religiosidade. Foi sucedido por D.José I, avô do nosso D. João VI. Foi neste cenário, dominado pelos fidalgos e pelos religiosos, principalmente pelos Jesuítas, que ocorreu o terremoto.

Impacto para a época

Mas, como foi para as pessoas dessa época viver isso? Lembre-se que temos de viajar para o ano de 1755. 

Como poderiam eles afrontar um terremoto e um incêndio sem ter quase avanços tecnológicos? Por que os lisboetas não só tinham um terremoto e um maremoto diante deles, mas também um incêndio. Cabe a pergunta: as duas coisas anteriores são artefatos da natureza mas, o incêndio foi provocado? Como já dizíamos, no primeiro mês de novembro as pessoas tinham velas acesas por toda Lisboa. Com o tremor da terra, as velas caiam no chão fazendo que todo o que as rodeava prendesse fogo. 

Este foi um fato pelo qual desmoronou, não só a cidade de Lisboa, mas também os lisboetas. Dos vinte e cinco mil habitantes que ainda tinha a cidade, morreram noventa mil pessoas, o que seria um terço da população. A população de Lisboa era muito cristiana, é por esse motivo que os religiosos (o clero português mais o Papa) achavam que este fato era compreendido como uma “cólera de Deus”. Isto fez uma ruptura com a religião do cristianismo, por achar que tratava-se de um castigo de Deus por uma má conduta dos residentes. Neste momento, a ciência começou a dar razões lógicas pelas quais o que aconteceu não poderia ser um motivo de religião. 

E não só foi uma grande perda de pessoas, também foi uma perda do património. Tanto é  que o Teatro Real do Paço da Ribeira e a livraria real, a qual tinha setenta mil livros, perderam-se. Outra perda foi as centenas de obras de arte; pinturas de Ticiano, Rubens e Correggio. Somando, que também se perderam arquivos reais e documentos históricos sobre as missões de Vasco de Gama. 

Consequências do terremoto

O terramoto de 1755 trouxe consequências drásticas para a cidade de Lisboa , nomeadamente: destruição, mortes ,feridos, prejuízos materiais e desordem social mas principalmente no que diz respeito à estrutura da cidade em si. 

O secretário de Estado Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, teve um papel importante no que diz respeito às medidas tomadas logo após ao terramoto, concretamente as medidas de reconstrução da cidade através da imposição de reformas profundas , apoiando assim o rei D José I, na reparação dos danos causados. De entre as medidas tomadas, este artigo dá destaque às providências para a reconstrução da cidade de Lisboa, que hoje é considerada a grande  obra do Marquês de Pombal.

Elaborou-se uma  disciplina arquitetônica, que  conjugou os princípios sanitários – redes de água e de esgoto – ao imperativo da circulação de ar puro. Juntamente com técnicas de construção contra a queda de blocos em um  possível colapso de edifícios, bem como a limitação do número de andares dos edifícios e o planejamento de ruas mais largas.

O único espaço que conservou a localização anterior ao terremoto foi o Terreiro do Paço, que após a remodelação, passou a ser chamado oficialmente de Praça do Comércio, em homenagem à burguesia mercantil e à Junta do Comércio, organismo que suportou financeiramente os custos da reconstrução.

Marquês do Pombal

Nessa manhã o Marquês do Pombal, o primeiro-ministro Sebastião de Melos e os Reis não estavam na Igreja. naquela manhã do um de novembro eles foram fora da cidade, porque uma das princesas quisera passar o dia fora da capital. 

O Marquês foi a pessoa que fez com que Lisboa renascesse, motivo pelo qual nós conhecemos assim Lisboa. A cidade que nós conhecemos é a cidade que ele planificou. Depois do desastre, o rei perguntou-lhe  o que deviam fazer, e ele respondeu “resgatar aos vivos e enterrar os mortos”. Isso é o que fez, mandou pessoas para acabar com o fogo e enterrar as pessoas que perderam a vida na catástrofe. E, para evitar possíveis pandemias, o que fez foi mandar retirar os corpos das pessoas mais distantes das proximidades do Rio Tejo. 

Porque dizemos que a Lisboa que nós conhecemos é pelo Marquês de Pombal? Ele foi quem achou que a cidade tinha que voltar a normalidade, isso pensando em possíveis catástrofes futuras e fazendo uma cidade e edifícios “a prova de terremotos”. Foi  assim, que o rei, o primeiro-ministro e os engenheiros desenharam a nova cidade de Lisboa: perfeitamente ordenada, com grandes manzanas e avenidas amplas. Para ter a certeza que os edifícios não tornassem a cair o Marquês de Pombal fez pequenas estruturas de madeira e comprovou que suportavam todo tipo de contratempos naturais. 

Entrevista a Arturo Viloria Fuentes

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