MptXaves: um mundo conceptual

Um parque de campismo, um braço partido e um videojogo. Dois miúdos aborrecidos no quente de agosto, meia-dúzia de ideias, uns dedos de conversa e um interesse em comum: fazer aquilo que ainda não foi feito.

Por Alice Nunes, Ana Pinto e Fernando Lyra

Há histórias que não precisam de muito, e esta precisou de muito pouco. Xavier, de 20 anos, senta-se na esplanada da FCSH num dia de sol enquanto explica o inexplicável: a obra criativa que tem preenchido os tempos livres destes dois amigos e que vai crescendo sem um caminho traçado. Se é música, se é poesia, se é humor, se é intervenção, é a aproximação ao público que o ditará: aqui não há regras ou etiquetas, há ideias a correr e a serem escritas no papel, transpondo MptXaves para a vida real.

Entre o atletismo, as ciências da comunicação e a vida o seu discurso mostra-nos o sonho de ir além do que nos está à frente dos olhos, escavar o dicionário e percorrer a lista de palavras proibidas, poetizando o que é demasiado duro, feio, grosseiro para ser poético. Fala-nos do primeiro álbum, salientando sempre o carácter particular da sua obra, e é quando carregamos no play que nos apercebemos que já não estamos em casa: Álbum Conceptual leva-nos para uma transmissão de rádio despida de convenções, sejam elas formais ou éticas, onde nos sentamos a fumar um cigarro enquanto ansiamos pela próxima faixa.

Bernardo, por sua vez, ainda nos seus tenros 18 anos, atravessa todos os dias o rio em direção à FCT e foca-se mais no segundo disco – Ar – deixando, por vezes, escapar uma ou outra pista sobre o que se seguirá. Agarrou-se à guitarra uns tempos depois de se cruzar com Xavier e hoje divide o conservatório com a engenharia, deixando sempre tempo para umas dicas e críticas aos sonetos do nosso escritor. A sua melodia experimental dá vida às palavras alheias e permite à dupla construir um espetáculo sonoro harmonioso.

O tempo incomoda, mas  é nesta ginástica que musculam-se os sonhos. Alongando horários, num sprint de inspiração, os seus ritmos e melodias procuram novas possibilidades para se exporem:  salas de concertos grandes ou pequenas, um happening  inusitado e espontâneo ou um grupo com mais do que amigos e familiares, são momentos imaginados pelos MptXaves. Descomprometidos mas focados, procuram que o humor na sua música se torne num meio de intervenção para todos aqueles que se disponham a entrar neste seu mundo conceptual.

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