Irina Rodrigues: lança o disco de Leiria para o Brasil

Por Ana Carina Gomes e Daniela Duarte

Irina Rodrigues estava longe de prever o que o futuro lhe reservava no mundo do desporto. Após uma lesão no ombro que a impossibilitou de continuar a praticar natação, iniciou a prática de atletismo. De entre as várias modalidades, rapidamente se destacou pela sua envergadura e estrutura de lançadora. E é a lançar um disco de um 1kg que Irina representará Portugal nos próximos Jogos Olímpicos.

Disseram-me logo que eu poderia ser uma boa lançadora”. E de facto a equipa que a acompanhava não estava enganada. Com apenas 13 anos, altura em que entrou para o atletismo, bateu o recorde nacional de iniciadas e infantis. “E a partir daí fui sempre progredindo e ganhando o gosto pela modalidade”.

O esforço e a dedicação presentes nos primeiros três anos de treinos resultaram no convite para integrar o Sporting, feito pelo professor Moniz Pereira. “Ter sido convidada por ele para integrar o Sporting foi para mim uma grande honra e foi o que me possibilitou chegar onde estou agora”, afirma-o com um sorriso de admiração pelo senhor.

Com o apoio do clube conseguiu a sua “independência financeira” e conseguiu apostar na sua “carreira desportiva”.  Irina é atualmente a número 1 no Ranking Nacional tendo alcançado em março do presente ano, a marca de acesso aos Jogos Olímpicos.

Os 63 metros e 96 centímetros possibilitam-na representar Portugal nesta competição internacional, pela segunda vez consecutiva. “Assusta-me mais ir para o pé do vírus zika, do que propriamente ir para uns Jogos Olímpicos”, diz entre risos.

A sua presença nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, deu-lhe maior “segurança e maturidade” para a competição que se avizinha. De há 4 anos recorda a grande união existente. “A comitiva portuguesa apoia-se muito. (…) Estamos ali todos para dar o nosso melhor e representar o nosso país.”. Uma participação que Irina descreve como tendo sido um dos momentos mais marcantes da sua vida “Estar presente nos Jogos Olímpicos foi o objetivo da minha vida, foi um sonho cumprido. (…) Na minha modalidade entram cerca de 32 atletas e estar neste lote é fenomenal. Fico mesmo muito orgulhosa”.

Um outro momento do qual se orgulha muito foi a sua primeira medalha de ouro numa competição internacional. “Foi no Festival Olímpico da Juventude Europeia, em 2007. (…) O facto de subir ao pódio e ouvir o hino foi sem dúvida uma emoção e um momento muito marcante.”.

Irina acredita que precisa de sorte para que os aspetos físicos e psicológicos encaixem no chamado dia D, no entanto nada se consegue sem esforço. “A sorte não ajuda, a sorte trabalha-se” (…) Acima de tudo é preciso ter muita capacidade de trabalho. Muita disciplina”.

À sorte e ao trabalho, a atleta aponta também como fundamental uma equipa multidisciplinar, formada pelo treinador e um treinador-adjunto, um psicólogo, um fisioterapeuta e um médico. É ainda importante o apoio da família, amigos e do namorado. “Acho que se tudo correr bem à volta da atleta, obviamente que os resultados vão sair bem”.

No entanto, nem tudo são facilidades. Irina conjuga os treinos com o curso de Medicina. “A minha carreira um dia vai terminar e tenho de ter sempre um plano para o futuro”. A escolha do curso recaiu sobre o que a mais inspirava. “Gosto de ajudar as pessoas (…) e de saber o que fazer para, de certa forma, tornar a vida delas melhor”. Conciliar a vida de atleta com a universidade “nem sempre é fácil”. Começa logo por viver e treinar em Leiria, estando a 70km de Coimbra, onde se situa a universidade onde estuda. Acrescenta-se a exigência do próprio curso e ainda a falta de apoio e compreensão por parte dos professores. “Já me aconteceu não me deixarem fazer um exame que tive que faltar por estar numa competição.”

Quando frequentava o ensino secundário, era mais fácil conciliar estes “dois mundos”.  “Vivia com a minha mãe e ela pressionava-me para estudar” e também “ainda não havia facebook”, conta-nos brincando.

Lutadora e dedicada, a discóbula portuguesa encara “as coisas por objectivos”. É ao definir bem o que quer alcançar que encontra a motivação necessária para os treinos e competições. “A força é lá que vou buscar: ao objectivo principal.” Contudo, não gosta de definir planos para um futuro longínquo. “Tento pensar de semana a semana. Uma pessoa nunca sabe o dia de amanhã. Uma lesão pode impossibilitar tudo de um momento para o outro”.

Quer continuar a dar o seu melhor e sonha em bater o recorde nacional da modalidade. “Gostava muito de ter o meu nome na folha dourada dos recordistas nacionais”.

Neste momento, Irina apenas está focada em estar na sua melhor preparação física para “a competição das competições”. Os Jogos Olímpicos começam em agosto do presente ano e realizar-se-ão no Rio de Janeiro.

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