Inês Ferro: Sonhar nunca sai de Moda

Por Rita Mata-Seta Pereira e Stefanie Wacek

Inês Ferro é uma jovem criativa e dinâmica de 24 anos. Nasceu em Estremoz, no Alentejo, e mudou-se para Lisboa quando começou a sua licenciatura em Design de Moda, na Faculdade de Arquitetura de Lisboa. Em 2015, sagrou-se mestre em Design de Moda. É apaixonada pelo mundo da moda e quer fazer dela uma vida.

No âmbito da conclusão do seu mestrado, Inês decidiu realizar um estágio académico de cinco meses na capital inglesa e foi aceite pela marca MONA Swims, uma empresa em ascensão de roupa de praia, que é, desde a licenciatura, a área que mais fascina Inês.

Conseguir este estágio foi, já por si, um sucesso, pois foi necessária muita persistência por parte da jovem, que enviou “dezenas de e-mails a pedir estágio, a maior parte sem qualquer tipo de resposta posterior”. Também foi preciso encontrar um quarto a preço suportável e a uma distância razoável do trabalho, para além de conseguir uma bolsa que aligeirasse as despesas na cidade de Londres. “Mas graças às pessoas que me apoiaram, o esforço foi recompensado e tornou-se possível realizar o sonho”, garante Inês.

Bastidores da campanha da marca de Inês Ferro
Bastidores da campanha da marca de Inês Ferro

Durante este estágio em atelier, Inês diz ter presenciado a dinâmica de crescimento da marca, de cuja afirmação e desenvolvimento a jovem designer pôde fazer parte. Para Inês, foi a primeira experiência no mercado de trabalho na área de Design de Moda e sentiu que foi uma “opção bastante promissora” para o seu desenvolvimento, “não só a nível académico, mas também profissional e pessoal”.

Iniciou a aventura de ir viver sozinha fora do seu país e trabalhar pela primeira vez para uma empresa de moda no dia 18 de fevereiro de 2015. Logo no dia seguinte, conheceu a sua orientadora de estágio, Carla, no local de desfile em que a marca MONA Swims participou. Estava muito nervosa, mas foi recebida de forma tão amistosa que rapidamente perdeu o medo inicial e e começou a sentir-se em casa, a conversar com outros amantes de moda, enquanto assistia a vários desfiles.

A 25 de Fevereiro, começou, oficialmente, a experiência do estágio no estúdio de Carla. Foi logo introduzida no meio laboral e a sua nova chefe ensinou-a a fazer inventários, assim como os processos de entrega de encomendas.

Mais tarde, começou a fazer ilustrações para a nova coleção da marca, que foram publicadas nas redes sociais da mesma, e prosseguiu com o trabalho de costura de bainhas. “Revelaram-se muito úteis os conhecimentos adquiridos com a coleção de roupa de praia criada no ano anterior, nomeadamente noções a nível de modelagem, costura e acabamentos, que havia desenvolvido sob orientação dos professores e da técnica de confeção da faculdade”, comenta Inês.

A coleção em que a jovem designer mais participou foi a “EVOLUTION 2015”, cuja encomenda chegou quando começara o seu estágio. Foi-lhe possível acompanhar todo o processo que se segue à produção: a divulgação e publicidade, os desfiles, a preparação de encomendas e entregas em lojas, sessões fotográficas, vendas online,… “Pude, assim, compreender a importância da divulgação de uma marca, com especial foco nas redes sociais”, declara.

Porém, antes de divulgar e publicitar, é necessário criar as peças. Este é um processo complexo que exige o seguimento de várias etapas.

Mode City em Paris

Ao longo do seu estágio, Inês participou em várias feiras e desfiles, tanto em Inglaterra como noutros países, como, por exemplo, Itália. Ainda assim, ficou muito surpreendida e feliz ao ter tido a honra de ser convidada a acompanhar a MONA Swims à Mode City em Paris, já no final do estágio.

“Já tinha a minha viagem de regresso a Portugal marcada quando surgiu a proposta de ir a Paris, à Mode City, com a MONA. Claro que seria impossível recusar! Vim a Portugal, deixei malas e bagagens e voltei para Londres”, Inês relembra, “os dias a seguir foram loucos… tinha de estar tudo pronto e organizado a tempo de ir para Paris”.

Mode City é uma feira internacional, líder mundial, de roupa de praia e lingerie, que reúne empresas especialistas em tecidos e fabricantes da indústria, contando com a participação de 450 marcas de roupa de praia e lingerie, provenientes de cerca de 35 países. O evento é palco de desfiles de moda, fóruns e conferências, cujos objetivos são a exibição do perfil dos expositores e a atração de compradores internacionais.

A ida a Mode City foi o objetivo mais ambicioso da MONA Swims para o ano de 2015 e um passo extremamente importante para a divulgação desta marca relativamente nova. Uma grande oportunidade para Inês, que pôde vivenciar todo o ambiente, e, no final, um sucesso para todos: “Ao longo do tempo da feira, recebemos compradores, fabricantes, imprensa e simples curiosos. Ainda tive a possibilidade de conhecer os stands das minhas marcas favoritas, entre elas a marca portuguesa Lititid”, conta a jovem.

Ao fim destes três dias, Inês voltou para Portugal. “Foi assim, com chave de ouro, o fim da minha aventura de cinco meses longe de casa.” De volta ao seu país natal, Inês dedicou-se à escrita da tese de mestrado, e às coleções da sua própria marca, IF by Inês Ferro. Já lançou uma linha de fatos de banho e biquínis no mercado e participou em vários desfiles.

Inês sente que conseguiu alcançar os objetivos deste projeto: aprofundou os conhecimentos adquiridos durante a sua formação académica e obteve novos de grande valor profissional e também pessoal. “Concluí o mestrado com uma primeira experiência a nível profissional na área da moda e também com um leque de contactos que seguramente me poderão vir a ser úteis no futuro”, remata.

A jovem designer acredita que o principal benefício do estágio foi o facto de a MONA Swims ser uma marca nova no mercado, o que lhe deu a possibilidade de compreender e acompanhar toda a dinâmica da construção de uma marca, para além de conhecer o mercado de roupa de praia e aprender quais os passos essenciais a dar para a expansão e divulgação de um projeto.

Inês salienta que o estágio também foi uma grande mais-valia a nível pessoal: melhorou o seu nível de língua inglesa, sente um maior à vontade para começar a trabalhar na área “e, sobretudo, um grande desenvolvimento pessoal, que se prende com o facto de ter vivido esta experiência num outro país, saindo da minha área de conforto e abraçando um tão grande desafio”.

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