Em Cena

Volta ao mundo como ator

Durante cerca de duas décadas, José Carlos Garcia esteve “em itinerância por este mundo todo”. Desde a criação da companhia do Chapitô, em 1996, que a vida de José é saltar de palco em palco e de país em país. “Foram à volta de 123 países”, disse-nos o entrevistado. Esteve nos quatro cantos do mundo e já experienciou tudo aquilo que a cultura influencia no mundo do teatro. Desde a idolatria por parte do público no Irão, passando por casos de vida ou morte com a máfia italiana e acabando no maior festival de teatro do mundo, realizado na Colômbia, José Carlos Garcia foi um verdadeiro nómada.

Essa rotina durou até aos 40 anos de vida do encenador. A partir daí deixou a carreira de ator teatral e passou apenas a encenar. “Quando chegas a um ponto em que consideras a parte de trás de uma carrinha a tua casa, algo não está bem”, disse José Carlos Garcia. Nos seus tempos de ator, pela companhia do Chapitô, passava entre 8 a 9 meses por ano a viajar. O desgaste foi começando a aparecer e esse tipo de vida começava a deixar de ser suportável, no ponto de vista do entrevistado.

“Quando chegas a um ponto em que consideras a parte de trás de uma carrinha a tua casa, algo não está bem”


A Itinerância do Chapitô


Novelas, as fábricas sem glamour

A carreira como ator de teatro terminou, mas não deixou a representação por completo. A certo ponto da sua vida, José trocou os palcos pelas televisões do público português. Participou em grandes produções como “Laços de Sangue”, “Sal” e “Depois do Adeus”.

No entanto, apesar das diversas participações, José Carlos Garcia carateriza as novelas como algo “muito chato de se fazer”. Para o encenador, essas produções não possuem qualquer tipo de glamour. “Chegas lá às 8 da manhã, gravas 12 horas por dia e depois vais para casa memorizar falas, para fazeres exatamente o mesmo no dia a seguir”, contou José.

A comparação com o teatro é algo que, do ponto de vista de José Carlos Garcia, não existe. O teatro tem como objetivo criar uma ligação com o público e fazer com que o mesmo se entretenha. “Se conseguires agradar o público, cumpriste o teu objetivo”, segundo José. Já as novelas são um negócio cuja única meta é alcançar lucros. O dinheiro é tudo o que interessa.


José Carlos Garcia no ecrã


Percurso na Encenação

Perante este novo foco na encenação, as suas peças com Chapitô suscitaram convites para trabalhar em Espanha, onde foram recebidas com aplausos e prémios. No que toca às condições laborais, a maior diferença que José Carlos Garcia sente em comparação com Portugal está relacionada com os recursos disponíveis.

Mais recentemente, a pedido, tem trabalhado muito com companhias amadoras. Os cenários e os atores podem ser considerados menos profissionais, mas isso pouco lhe importa. E então é assim que, aos poucos, tem conhecido várias pequenas cidades de Portugal à custa do seu amor incondicional pelo teatro.

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