Cátia Pereira: Sonho, Suor e Lágrimas

Por Diogo Yebra Martins e João Gil Gonçalves

Cátia Pereira, 26 anos, pratica desporto de alta competição desde sempre. Foi velocista, integrou a seleção nacional de râguebi “sevens” e aos 21 anos descobriu a sua verdadeira paixão, o salto com vara. Hoje em dia é uma atleta internacional que luta por um lugar nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro.

Segundo a atleta este é o desporto mais completo que encontrou. Acompanhámo-la num dia de treino, no Centro de Alto Rendimento do Estádio do Jamor, e tivemos um vislumbre da exigência e diversidade de modalidades que integram o trabalho destes atletas.

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“Fazemos corrida [velocidade e fundo], barreiras, salto em comprimento, argolas, musculação, entre outras tantas coisas e ainda o salto com vara que é o principal”.

Foi precisamente numa prova de velocidade que teve o primeiro contacto com o salto com vara. Aqui conheceu o recordista nacional desta modalidade, Edi Maia, seu atual namorado e mentor na aproximação a esta disciplina.

A mudança de modalidade implicou também uma mudança de treinador. No atletismo são os atletas que escolhem o seu treinador, independentemente do clube onde estão. Cátia Pereira representa neste momento o Sport Lisboa e Benfica e treina com atletas de outros clubes como o Sporting Clube de Portugal

Em 2014 atingiu os mínimos necessários (4,35m) para ingressar nos campeonatos da europa de atletismo, em Zurique, e foi lá que representou pela primeira vez as cores de Portugal, nesta categoria.

Para Cátia um ingresso tardio na modalidade é, ao mesmo tempo, uma vantagem e uma desvantagem. Por um lado, quem tenha praticado salto com vara desde cedo, domina melhor a técnica – Cátia assume que as maiores dificuldades que enfrenta são a esse nível – mas ainda assim, a atleta defende que a prática de outras modalidades (sobretudo da velocidade), no passado, lhe deu ferramentas necessárias para poder queimar etapas – tais como os regimes de treino que lhe permitiram, hoje, ter um baixo peso e ser veloz.

Com treinos que chegam às 8 horas, pouco tempo sobra para a vida pessoal. Além disso, Cátia Pereira tem de complementar a sua vida de atleta com um trabalho como empregada de mesa num restaurante lisboeta, a servir jantares. O ordenado do clube e os incentivos que recebe como integrante da seleção nacional são parcos pelo que necessita desta atividade suplementar.

“Aqui, aquilo que conta é a tua mente” – desabafa Cátia – “a parte financeira não é, de forma alguma, o incentivo mais decisivo. Isto a juntar ao facto de estar permanentemente ausente [pausa], isto é, distante dos meus familiares, de não poder sair com os meus amigos, fez-me pensar, muitas vezes, se tinha tomado a decisão certa. Ainda hoje o questiono, às vezes.”

Apesar das dificuldades e incertezas, Cátia luta todos os dias por aquilo que, em palavras da própria, é “o sonho de uma vida”. Sonho esse que lhe retirou as experiências de uma jovem normal – mesmo a nível de estudos – mas que, ao mesmo tempo, lhe permitiu sentir reconhecimento pelo trabalho árduo e “a sensação indescritível de representar Portugal, lá fora, com o estádio a aplaudir e os portugueses a chamar por mim”.

Os jogos olímpicos do Rio são o próximo grande objetivo de Cátia, por duas razões: o prestígio de participar na prova, que corresponderia a um retorno financeiro mais elevado e, consequentemente, à possibilidade de se dedicar a tempo inteiro à modalidade e, por outro lado, a confirmação de que esta foi a escolha certa para a sua vida.

“Tenho 26, quase 27. Também quero uma vida normal. Para mim, como atleta, o Rio [jogos olímpicos] é o tudo ou nada”.

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