Catarina Miranda: Contadora de História(s)

O GOSTO POR HISTÓRIA(S) SURGIU AINDA NOS TEMPOS DE CRIANÇA. HOJE, COM 22 ANOS, CATARINA ASSUME O GALARDÃO QUE A DISTINGUE COMO A MELHOR ALUNA DE HISTÓRIA EM PORTUGAL. POR AQUI, É ELA QUE VAI TECENDO A NARRATIVA E VIAJA SEM SAIR DO LUGAR: TRAZ, NO OLHAR, OS SONHOS DO SEU FUTURO QUE SE PROJETAM NUM TEMPO PASSADO. O PASSADO HISTÓRICO.

Por Beatriz Lopes, Duarte Godinho e Margarida Ferreira

Aos três anos, já tinha uma relação próxima com os livros.

Não foi só o tempo que passava entre livros e mapas nem os cognomes dos reis e caravelas que a apaixonaram pela História. Foi sobretudo a capacidade narrativa de uma professora primária. «A forma como a pessoa fala tem sempre impacto no ouvinte, para mim isso sempre foi determinante», refere.
A História passou de uma simples curiosidade para uma paixão a tempo inteiro. Nos últimos dois anos, Catarina foi distinguida pelo seu mérito académico, mérito que, confessa, não seria possível sem pequenos sacrifícios. Para atingir os resultados que queria, abdicou, por vezes, de fins de semana em família ou de saídas com amigos em época de exames, algo que acabava por compensar noutras alturas menos ocupadas. «Era uma questão de organização de tempo. Acho que foi sempre bem equilibrado».

Em 2012, terminou o ensino secundário. A parte mais difícil recaiu sobre a escolha da licenciatura a seguir: História, Direito, Ciência Política, Relações Internacionais, Psicologia, eram várias as possibilidades. Familiares e amigos alertaram-na sobre os riscos de empregabilidade na área de humanidades, mas Catarina acabou por optar pelo seu «gosto mais antigo», que via como capaz de a catapultar para profissões como professora, académica ou, por outro lado, diplomacia ou administração pública.
Ao visitar a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, onde estuda, ficou cativada pelo ambiente da academia e pelos seus valores. Passados quase 5 anos desde a sua escolha, não se arrepende. Foi nesta faculdade que acabou por se tornar na “melhor aluna de História do país”.

Catarina Miranda foi nomeada para o Prémio de Mérito e Excelência da FCSH/NOVA em 2015. Um ano depois, em Julho de 2016, foi reconhecida como “a melhor aluna de História do país” pela revista Sábado.

«A História complexificou-se, humanizou-se também. Antes era muito esquematizada, “fria”, como se a História não fosse feita por pessoas, com sentimentos e ambições»

Neste momento, Catarina frequenta o Mestrado em Egiptologia, em fase de dissertação. A sua aptidão pela interdisciplinaridade levou-a a combinar na sua tese História e Antropologia. Foca-se nas relações culturais entre o Egito e a Grécia Antiga, no período após a conquista da região por Alexandre, o Grande. «Acho notável que esta civilização tenha conseguido manter uma paz relativa na região durante 3 mil anos, sob o mesmo regime [faraónico]», partilha. Por outro lado, vê na Grécia Antiga uma grande fonte para o Mundo Ocidental, pois muitos dos seus pensadores ainda se mantêm atuais, tendo legado noções de áreas diversas como política, matemática, medicina ou a noção de democracia.

 

Os planos futuros de Catarina passam por viajar ao Egito e Grécia, concluir o Doutoramento e seguir profissão ligada ao ensino

Para Catarina, o futuro passa pela investigação ou pelo ensino universitário. Deseja também ter a oportunidade de poder viajar e conhecer os locais remotos que estuda com tanto gosto, poder ver o local onde prosperou a civilização egípcia. Aos poucos, o futuro começa a materializar-se. Recentemente, teve a sua primeira prova de fogo: professora por um dia. Um momento decisivo que veio confirmar que é mesmo aquilo que pretende fazer a nível profissional. No entanto, não põe de parte outros planos ou projetos que possam surgir, devido à flexibilidade que a História oferece.

«De facto, isso é um dos deslumbres da área: dá muita liberdade e espaço para a criatividade e dinamismo»

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