Tecidos com História

Por Carla Nunes, Carolina Soares, Catarina Aranha, Daniela Filipe, Helena Ribeiro e Sofia Martins, no âmbito do seminário Novas Narrativas dos Media, do mestrado em Jornalismo, da FCSH-UNL

 

Onde antes havia um mar de cor e textura, há um mar de pessoas, atraídas pelos sinais de “liquidação até 70%”. Os tecidos, esses, ainda lá estão, mas em menos quantidade e por pouco tempo. Com encerramento previsto para o final de junho, a Casa Frazão irá juntar-se à lista das lojas com história de Lisboa que fecharam portas, deixando a vizinha Londres Salão com o título de única loja histórica dedicada à venda de tecidos na capital portuguesa. Uma proposta insustentável por parte do senhorio, mudanças na sociedade e a concorrência do pronto a vestir são algumas das razões para o encerramento do estabelecimento.

Em atividade na Rua Augusta desde 1933, a Casa Frazão carrega no nome a marca do seu fundador, Manuel Alves Frazão. É com carinho que os funcionários o recordam, salientando o facto de existirem 22 sócios, porque quem completasse 10 anos de trabalho na casa tornava-se acionista. Manuel Figueiredo, há 34 anos no estabelecimento e um dos 22 sócios, relembra que o número de funcionários ao balcão costumava ser muito superior, e que “às 9h da manhã já [tinham] pessoas à espera”.  Isabel Gonçalves, sócia que conta com 28 anos de casa e filha de um antigo funcionário que trabalhou lado a lado com Manuel Alves Frazão, afirma que o encerramento “foi uma decisão muito ponderada”, já que “as rendas são insustentáveis”. “Uma loja destas não vive de pequenos arranjos”, reforça.

Poderá explorar a Casa Frazão e a sua história na imagem interativa em baixo, através dos conteúdos audiovisuais escondidos na mesma. Recomendamos que utilize o modo “tela cheia” e auriculares, para usufruir de uma melhor experiência.

 

 

 

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