Carlos Vaz: Um economista de sapatilhas

Por Ana Silva, Andrea Vilhena Sousa e Vera Macedo

Carlos Vaz é um desportista. Sempre o foi. Mas não era suposto ser. Sofre de asma desde que nasceu, em 1962. Quando era pequeno, os médicos nunca recomendaram que fizesse desporto. ”Os meninos e as meninas que tinham asma não deveriam fazer grandes esforços físicos”. Todos os anos o médico passava-lhe uma declaração que deveria ser entregue ao professor de educação física, que atestava em como não poderia fazer desporto, devido a ser asmático. Mas nunca a entregava. “Arranjava sempre desculpas em casa, porque desporto era o que eu gostava de fazer”.

Representa o Sporting Clube de Portugal desde 2003 na classe de demonstração de ginástica e de danças tradicionais portuguesas. “É uma segunda casa, uma segunda família, onde estão os meus melhores amigos”. Mas o Sporting sempre fez parte da sua vida, quase desde que nasceu. Cresceu no Bairro de São Miguel, em Alvalade, e, mais que “um clube de futebol, o Sporting era o clube do bairro”. Onde ele e os amigos assistiam aos jogos das várias modalidades, sempre que conseguiam algum bilhete oferecido, “porque ainda eram caros”.

O pai era carteiro e a mãe costureira e, embora nunca se tenha preocupado com “médias escolares”, quando decidiu candidatar-se à faculdade, sabia que a faculdade estatal seria a única hipótese possível. Quando informou o pai sobre o curso a que se tinha candidatado, o pai perguntou-lhe “o que é isso, Economia?”. Na altura, engenharia, medicina ou direito seriam uma opção. Agora, Economia, “não era um curso de jeito”.

A Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa foi sempre a primeira opção e ingressou no curso no terceiro ano em que foi lecionado. “A faculdade funcionava numa pequena vivenda no Campo Grande e eramos poucos. Todos se conheciam.”

Terminou a licenciatura em 1986 e ainda deu aulas de matemática durante um ano mas ”queria saber o que era isso de ser economista”.

Passou pela empresa Portlin, como economista estagiário, e pelo projeto de construção do Centro Cultural de Belém, que seria a futura sede, condigna, da presidência portuguesa da União Europeia.

Em 1989, através de um anúncio no Expresso, concorreu à empresa CTT, onde se mantém até aos dias de hoje. É responsável pela área de cooperação internacional da empresa e tem a seu cargo o desenvolvimento e coordenação de um projeto de desenvolvimento de recursos humanos, que envolve a cooperação entre Portugal e vários países da América Latina e PALOP, projeto este distinguido pela World Post & Parcels Awards e pela União Postal Universal, o organismo especializado da Organização das Nações Unidas (ONU) para o sector postal.

O percurso de casa para o trabalho, de Telheiras ao Parque das Nações, em Lisboa, é sempre feito de bicicleta. @Pedro Mónica
O percurso de casa para o trabalho, de Telheiras ao Parque das Nações, em Lisboa, é sempre feito de bicicleta. @Pedro Mónica

Sendo “alfacinha de gema”, desfruta da cidade de Lisboa todos os dias, através das suas deslocações de bicicleta de casa para o trabalho (de Telheiras ao Parque das Nações). “Só quando o tempo está muito mau, mas tem que estar mesmo muito mau, é que a bicicleta fica em casa (ou no trabalho)”. Nesses dias o metro é a alternativa. Esta “aventura começou numa altura em que houve muitas greves de metro e tinha que encontrar uma alternativa para a deslocação de casa para o trabalho”. As greves passaram mas a bicicleta ficou.

Um encontro “inesperado” durante a subida aos Pirenéus, em 2011, na viagem de bicicleta pelo Caminho Francês de Santiago de Compostela.
Um encontro “inesperado” durante a subida aos Pirenéus, em 2011, na viagem de bicicleta pelo Caminho Francês de Santiago de Compostela.

Na companhia do filho já fez os Caminhos Portugueses e Franceses de Santiago de Compostela, em bicicleta. “É uma experiência de vida”, diz. E uma aventura “ para quem só aprendeu a andar de bicicleta já em adulto”.

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