Alecrim e vassourinha: o Brasil contemporâneo

(para voltar à introdução, clique aqui)

Acaba de chegar ao calor dos ritmos contemporâneos. Fique à vontade e desfrute dos êxitos que converteram o Brasil numa potência da música internacional.

Olhar para a música brasileira no momento presente é mergulhar num vasto universo de sons e ritmos, cada vez mais reconhecidos a nível mundial. Nos últimos anos, artistas como Pabllo Vittar e Anitta têm cunhado o seu nome além-fronteiras, levando milhões a redescobrirem êxitos cantados em português.

Entre os estilos mais populares da atualidade, encontra-se, sem dúvida, o funk. Das favelas do Rio de Janeiro para o mundo, funks há muitos e para todos os gostos. Desde o funk tradicional carioca, à crítica social presente no funk consciente ou até mesmo aos ritmos paulistas do funk ostentação, o mais difícil é escolher.

Em Portugal, o impacto do género é inegável. Quem não se lembra do sucesso de “Show das Poderosas”, lançado em 2013 por Anitta? Ou até de “Baile de Favela”, uma homenagem de MC João às origens do género, que sacudiu Portugal durante o verão de 2016? Estava, assim, aberto o caminho para músicas como “Olha a Explosão” de MC Kevinho, “Bum Bum Tam Tam” de MC Fioti e “Mafiosa” de Caroliina e Lartiste passarem a fronteira, tendência perpetuada pela chegada de festivais a solo luso, como o Villamix em 2018.

Já o sertanejo também alcançou um merecido lugar entre os sons mais ouvidos pelos portugueses. Não é por acaso que “Ai se eu te pego” de Michel Teló conquistou Portugal em meados de 2011. De origens rurais, o sertanejo sempre fez furor no Brasil. Aliás, poucos são os brasileiros que não conhecem “Evidências”, o hino dos anos 90 assinado pela dupla Chitãozinho & Xororó. Mas a sua popularização internacional veio mais tarde, com o surgimento do sertanejo universitário, no início dos anos 2000.

Por norma cantado em duplas ou a solo, a modernização do sertanejo surgiu com o propósito de fazer o público jovem dançar. Jorge & Mateus, Jads & Jadson, Simone e Simaria e a ‘rainha da sofrência’ Marília Mendonça são apenas alguns dos que têm levantado ondas dentro do género. Cada cidade do Brasil acaba por ter a sua própria abordagem à música sertaneja, focada em temáticas românticas ou, mais recentemente, ligadas ao empoderamento feminino, comuns no subgénero feminejo.

Porém, o património musical da última década ultrapassa em larga escala aquilo que passa na rádio. Atualmente, faz-se música brasileira um pouco por todo o país, dando origem a interessantes cruzamentos de jazz, rock, música popular gaúcha e black music, impulsionada pelas comunidades negras. São rostos ainda anónimos como o compositor e guitarrista brasileiro Felipe Vargas, responsável por dar música a pequenos bares na zona do Porto, que ampliam o legado de sons brasileiros em Portugal de forma diária.

Beatriz Dias, técnica de marketing. Fotografia: Matilde Dias

É certo que o boom contemporâneo trouxe uma nova vaga de ouvintes e Beatriz Dias foi uma delas. A técnica de marketing de 28 anos confessa que, na sua infância, pouco se interessava pelas canções do outro lado do Atlântico, reconhecendo-as apenas como “música de novela”.

Todavia, descobriu um cenário diferente na vida noturna lisboeta. “Ouve-se muito a expressão ‘música brasileira’ como se fosse um só género musical, mas a música brasileira é enorme, com montes de estilos e artistas”. Beatriz decidiu, então, partir à descoberta. Anitta, Ludmilla, POCAH e Glória Groove passaram a marcar presença regular nas suas playlists, dedicadas a explorar aquilo que se tinha habituado a dançar em discotecas.

Até que ouviu falar de Pabllo Vittar. Chegou ao cantor através do single “Sua Cara” e ficou pelo pop e tecnobrega, latentes no primeiro álbum do artista Vai Passar Mal. “O Pabllo Vittar era bastante diferente, especialmente da maioria dos artistas cá de Portugal. Gostei bastante das músicas, da voz, dos videoclipes e, por isso, acabei até por ir ao concerto dele quando ele veio cá a Lisboa”. Ver portugueses e brasileiros a cantarem os maiores sucessos do artista a uma só voz, bastou-lhe para entender a força do poderoso “intercâmbio cultural” entre os dois países.

Sucederam-se outras paixões, sempre quando menos esperava. Tudo começou com um CD, encontrado por acaso no rádio do carro. Era Reflexo da dupla de sertanejo Maiara & Maraisa. À primeira vista, histórias de amor e traição, acompanhadas por interjeições como “esta é para chorar, Brasil!”, fizeram com que Beatriz não levasse o trabalho das gémeas de Mato Grosso muito a sério.

Porém, o que se estranha muitas vezes entranha-se e este momento não foi exceção. “No início ouvia aquilo um bocadinho a gozar, porque, lá está, as músicas eram um bocado dramáticas, mas a verdade é que, à força de ouvir tanto aquilo no carro, acabei por gostar e a música acabou por me ficar na cabeça”. Resta-lhe aguardar por tempos longe da pandemia, que lhe permitam escutar as favoritas “Traí Sim” e “Separada” ao vivo e a cores.

Hoje, confessa que ainda deseja conhecer muito mais. “Às vezes há sempre a tendência de ficarmos por aqueles artistas mais conhecidos, mas sei que existem dezenas de projetos interessantes que vale a pena conhecer”, conclui. De facto, o futuro sorri à música brasileira em Portugal e Beatriz mal pode esperar por ouvir o que se segue.

Testa os teus conhecimentos sobre a música contemporânea do Brasil neste quiz:

Para continuares a tua viagem, escolhe um dos seguintes percursos:

Submit a comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.